luta do paciente
mamãe continua lutando. Aos poucos vou descobrindo formas de ajudá-la mais e oferecer cuidados cada vez mais eficazes. Deixá-la em casa foi minha opção, pela possibilidade de carinho. Aprendi a lidar com as fraldas, com o traçado na cama, com os utensílios indispensáveis ao banho no leito. Almofadas macias são de grande ajuda no combate às escaras. Um bom truque é encher uma luva, como um balão de aniversário, para apoio do tornozelo. Graças a Deus ela não tem uma única escara, lesão que causa tanto incômodo.
As enfermeiras são ótimas, mas não deixo que façam tudo. Quando chego do trabalho faço o que ainda estiver por fazer, para que ela sinta que estou ali. Nessa fase terminal, quando os médicos não podem fazer mais nada, amor é o último remédio disponível.
Ter esse espaço para falar é uma válvula de escape preciosa. Não dá para deixar que as pessoas de casa, já tão abaladas, sintam que também estou caindo aos pedaços. Dividir com quem também está vivendo o problema, é de grande ajuda.
- Blog de suzana coutinho
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A saudade é a prova de que quem está ausente marcou profundamente nossa vida. Minha família também ainda se recupera da perda de minha avó.
Um abraço.
Não tem sido fácil, principalmente pq a vida continua e exige que vc viva. Logo depois do óbito, tive que tomar todas as medidas legais, como ir ao INSS, ao banco onde ela tinha conta, contactar o plano de saúde etc. Cada coisa que cancelo parece que corto um elo de ligação dela com a vida. Estou péssima. Hoje estarei voltando ao trabalho.
Obrigada por seu apoio
um abraço
suzana
Olá Suzana!
Lendo seu depoimento e vivendo a mesma situação com minha mãe acamada a 4 meses ,tomei a liberdade de perguntar sobre qdo vc fala estado terminal como seria e qto tempo faz ,e sobre o traçado na cama daria pra vc me explicar pois não sei mas como fazer pra mante-la em segurança e ao mesmo tempo confortável.
Que Deus te de força e coragem,na sua caminhada pois é tudo que precisamos.
Até mais.
Isabel.
Isabel, mamãe morreu no último dia 4, depois de 43 dias de luta.
Ela foi considerada em estado terminal, pela falta de reações, movimento, atenção, fala ou capacidade de se alimentar., embora conservasse os sinais vitais presentes. Mas estavam cada vez mais fracos. Nos últimos dias ela perdeu o reflexo pupilar e aí eu vi que estávamos mesmo no fim. Sua partida era esperada para qualquer momento,
A cama de mamãe era do tipo hospitalar, com grades. Para facilitar a higiene e a troca das fraldas, usávamos um plástico especial, vendido em casa de material médico (traçado), coberto por uma faixa larga de tecido, como se fosse um lençol em medida mais estreita. Assim, se molhasse, era mais fácil trocar, sem ter que mexer com o lençol de forro da cama, o que seria desconfortável, principalmente com o soro.
Na cama tínhamos travesseiros macios, três almofadas e um travesseiro de bebê, que eram usados para "escorá-la", conforme a posição. Lembre que o doente no leito tem que ser trocada de decúbito (posição) há cada duas horas, para evitarem-se escaras. A cada troca usávamos DERSANI nas orelhas, calcanhares e demais estremidades, para reforçar a pele. Quando necessário enchíamos luvas de procedimento com ar e a usávamos como apoio sob a panturriha e tornozelo, mantendo o calcanhar suspenso.
Com esses cuidados, conseguimos que ela chegasse ao fim sem uma única escara.
Ficamos com ela em casa, apesar da imensa carga de responsabilidade e trabalho que isso significava, por ser esse o desejo dela e o nosso próprio entendimento. A decisão foi minha como filha, mas contei com o apoio de toda a família. Na UTI ela estaria entre estranhos e sofreria mais.
Meu marido é médico e se dedicou muito, ficando com ela em plantão permanente, inclusive passando as noites na casa dela, para eventual necessidade. Isso foi fundam,ental no controle de seu estado e orientação de suas necessidades, pois não poderíamos pagar visitas diárias de um médico particular, por período tão longo.
Assim, fizemos todo o possível, minha consciência está tranquila, mas isso não ameniza a saudade e a grande falta que ela faz. Não importa que estivesse velhinha, para mim ela era a minha mãe, meu pilar de apoio. Enquanto ela estava nesse mundo, sabia que alguém nessa vida pensava em mim com amor, dia e noite. Agora sou eu quem pensa nela dia e noite, com muita saudade.
Espero que sua mãe não sofra e que reaja bem ao tratamento médico
Dê a ela todo o carinho do mundo
suzana
Suzana,
Primeiramente meus sentimentos pela partida de sua mãezinha,aquele dia apesar de não conhece-la fiquei triste pois me coloco em seu lugar ,mas certamente ela descansou .A saudade é natural e vai ficar pra sempre . A vida é assim.
Obrigada por ter atendido minha solicitação ,foi de grande valia,pois minha mãe está bem perto do quadro descrito por vc. Me entristece e ao mesmo tempo me prepara, pra mais um dia.
Obrigada!
Isabel.
ola tudo bem? sou tec de enfermagem e cuido de portasdores da d.a se vc quiser conversar me adicione
Rosemeire, obrigada pela solidariedade.
Mamãe está em estado vegetativo e estamos aguardando sua partida. A saudade é imensa, mas já não suporto presenciar tanto sofrimento.
Nunca imaginei que pudesse ser assim, que chegasse a hora de não haver mais nada a fazer.
mais uma vez obrigada
suzana