Mal de Alzheimer, tudo sobre a doença de Alzheimer
Breve resumo: "Alzheimer, a doença da alma"

Texto de Evaldo Mocarzel
"No pantanoso terreno do preconceito e da discriminação, a grande vilã é quase sempre a falta de informação.
Não estou me referindo a um tipo de informação fria e excessivamente segmentada, na mais gélida acepção cientÃfica do termo, mas a uma modalidade de informação sobretudo humanizada.
Nossa sociedade ainda é fortemente marcada por tantas segregações equivocadas porque somos todos carentes de informações humanizadas sobre os mais diferentes assuntos, entre eles, a doença de Alzheimer.
E o preconceito, sublinhe-se, começa dentro de nossas casas.
Quando recebemos a notÃcia de que uma pessoa muito querida começa a apresentar os sintomas da doença de Alzheimer, a primeira sensação é uma espécie de luto. “Por que logo com a nossa famÃlia?â€, é um questionamento constante.
É como ser escolhido por uma loteria à s avessas e, a partir daÃ, tem inÃcio uma autêntica via-crúcis de enganos e tropeços, de desesperos e tristezas, tudo tornado assim tão difÃcil por falta de informação humanizada, ou seja, um conhecimento cientÃfico mesclado a uma visão humanizada do assunto, respaldado por uma energia fundamental que rege a condição humana: a solidariedade.
Aà tudo fica bem menos complicado, mais suportável. Monstros que não existem começam a ser dessacralizados e surge um alento, um alÃvio, uma esperança necessária no fim do túnel.
Informação humanizada, envolta em comovente solidariedade, meta e missão do livro “Alzheimer, a doença da Almaâ€, de Laura Botelho.
Após o luto da notÃcia de que uma tia querida, já falecida, e a própria mãe sofriam da doença de Alzheimer, Laura, no meio de todo esse árduo processo, ainda perdeu o pai, mas foi à luta!
Ela reuniu informações de fontes diversas e escreveu esse livro que foi uma tentativa extremamente bem-sucedida de universalizar o conhecimento que foi coletando no decurso desse perÃodo tão difÃcil.
Mais: Laura não quis guardar todas essas informações preciosas somente para ela e para a própria famÃlia.
Ela queria passar adiante, torná-las acessÃveis para um número grande de pessoas para que não enfrentassem a mesma falta de conhecimento que teve de superar.
Esse livro é fruto de um gesto muito digno, louvável, sobretudo generoso e solidário.
No Brasil, segundo Laura nos informa, existem 16 milhões de pessoas com mais de 60 anos, sendo que 6% apresentam a doença de Alzheimer, quase 1 milhão de pessoas, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).
E a carência de informação é imensa. FamÃlias, médicos, advogados, enfim, a falta de conhecimento da maioria quase absoluta da nossa sociedade é mesmo muito grande.
“Alzheimer, a doença da almaâ€, o livro de Laura Botelho, é uma espécie de bálsamo, um antÃdoto contra essa ignorância generalizada.
Laura dá dicas muito valiosas de como lidar com os primeiros sintomas, a irritação e a falta de memória do idoso com a doença de Alzheimer, o desespero de toda a famÃlia, narrando com uma sinceridade comovente o calvário que foi para ela e os irmãos lidar com o problema quando ele desabou sobre o dia-a-dia de sua famÃlia.
O livro de Laura é um horizonte esclarecedor que reúne desde medidas de prevenção contra as possÃveis quedas dos idosos até maneiras clarividentes e generosas de se lidar com os problemas que afetam as pessoas com Alzheimer, a sensação de perda, insônia, medo da noite, agitação, agressividade, também apatia, sonolência, suor excessivo, à s vezes convulsões, angústia, dor, abandono, além dos riscos da desintegração familiar que são sempre iminentes nesses momentos de crise aguda.
Em seu livro, Laura vai nos conscientizando de que é preciso ter paciência, esfriar a cabeça, ausentar-se de quando em quando, e que o que está provocando aquilo tudo não é o idoso, mas a doença de Alzheimer.
Laura nos ensina como poupar os chamados “cuidadoresâ€, que são as pessoas que cuidam dos idosos, os “anjos da guardaâ€.
Ela dá dicas abrangentes que vão da escolha de roupas de fácil manuseio para os idosos, com velcro e elástico, até esclarecimentos sobre questões jurÃdicas, interdição de pessoas com Alzheimer, aposentadoria por invalidez e a Lei do Idoso, passando por uma lista de centros de referência em nosso PaÃs.
Mas seu livro é muito mais do que todas essas qualidades reunidas: é um libelo contra a intolerância, respaldada pela falta de informação; uma fonte de solidariedade para que as famÃlias possam se unir, se fortalecer e atenuar, à s vezes com música, o implacável avanço dos sintomas e suas complicações.
Laura não perdeu as esperanças e ainda vislumbra, num futuro não muito distante, uma vacina contra essa doença da alma, como ela mesma diz.
Seu exemplo é uma prova de que nós, seres humanos, encontramos uma grandeza infinita na dor, e justamente por isso nos tornamos pessoas melhores, mais depuradas, mais solidárias.
E isso nos caracteriza como seres humanos e nos diferencia dos outros animais.
Não estou pregando o culto da dor, mas ela nos melhora, com toda certeza, e essa sensação de aprimoramento talvez possa ser um grande alÃvio para a nossa própria dor de existir, principalmente em seus momentos de paroxismo mais difÃceis e pungentes.
Há sempre esperança, momentos de alÃvio e de transcendência musical, e também é isso que nos ensina esse necessário livro de Laura Botelho, um estudo sincero e tocante sobre a condição humana. "
- Blog de Laura Botelho
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